Feminicídio: psiquiatra explica que a raiva é motivo de muitos casos

“A raiva funciona com um mecanismo de autodefesa”, diz Julia Trindade

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Os casos de feminicídio só aumentam. Ao invés do número cair com a divulgação de tantos casos em Florianópolis, Santa Catarina, no Brasil e pelo mundo, a situação parece perder o rumo. Os números, as agressões e as vítimas só crescem. Nessa semana, um casal de mulheres foi ameaçado por um coronel reformado do Exército Brasileiro na Capital Catarinense. Esse é mais um, de tantos casos registrados, fora aqueles onde a vítima teme pelo pior e não faz o registro de ocorrência contra o agressor.  Mas, o que seria e de onde viria essa raiva que permeia a sociedade?

Segundo a psiquiatra Julia Trindade, na maioria dos casos a raiva é o principal motivo dessas ocorrências.

“A raiva funciona como um mecanismo de autodefesa que o cérebro dispara ao detectar o que acredita ser um perigo. Isso nos indica que sentir raiva não é algo ruim para o corpo, mas o que fazemos quando estamos com raiva é o que se precisa ficar atento”, alerta.

De acordo com a médica, que atende na Clínica Ancrè, em Florianópolis, é comum perceber que nos casos de feminicídio, muitas vezes, o agressor pede desculpas por perder controle em um momento de raiva e garante que nunca agiu assim e que nunca mais o fará. Mas, e por que, em geral, homens perdem mais o controle do que as mulheres?

A resposta pode estar em estudos realizados na Universidade de Arkansas, nos Estados Unidos. Segundo a psiquiatra, no local foram realizados grandes estudos sobre a raiva, e os pesquisadores detectaram que os cérebros e corpos, tanto femininos, quanto masculinos, respondem quase da mesma maneira quando decidem virar a chave para o modo raiva.

“No entanto, são os homens, devido a testosterona presente no corpo, que tendem a ter atitudes mais violentas. E as circunstâncias diferentes podem levar a diferentes tipos de agressão. Não estamos justificando aqui o comportamento agressivo dos homens, já que somos seres racionais e dotados da capacidade de tomar decisões e isso nos diferencia dos animais”, explica.

Julia destaca ainda que além de fazer mal as pessoas a nossa volta, o sentimento pode deixar as pessoas doentes.

“É que ao experimentar a raiva, praticamente se produz uma intoxicação de hormônios negativos no corpo. Em geral seus efeitos físicos não são sentidos imediatamente, mas mantido esse estado ao longo tempo, podem deixar marcas pelo corpo”, destaca.

E ao contrário do que se pensava, a psiquiatra diz que ao expressar raiva provoca mais raiva, ao invés de reduzi-la. O melhor é aprender como ser assertivo ou como regular suas emoções para diminuir a fúria.

Então quer dizer que a raiva é ruim? Não! De acordo com a psiquiatra, a raiva saudável é aquela que torna as pessoas capazes de protestar e ajuda na autoafirmação.

“Sem ela, seríamos ou muito submissos ou muito explosivos, ou seja, tem o objetivo final de nos preservar”, diz.

Para completar a médica alerta que violência é diferente de raiva.

“A raiva é um sentimento que vai passar, mas o ato violento vai deixar marcas, seja no corpo ou nas emoções. Então, se tem algo te incomodando com frequência, você está sentindo que tem perdido o controle por coisas que anteriormente não perdia? Procure ajuda, sempre há tempo! Pense nisso!”, finaliza

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