Relação entre o Custo Brasil e o cotidiano da população é discutida na Capital

Público lotou o evento para ouvir nomes como Gustavo Franco, Lawrence Reed e Zeina Latif

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Com palestras marcantes, análises e debates profundos, o 4º Fórum Liberdade e Democracia consolidou ainda mais o evento no cenário econômico, político e social de Santa Catarina. Com o auditório lotado, o tema “Custo Brasil” foi discutido em todas suas variáveis, mas com um objetivo bem definido: mostrar que ele não tem nada de abstrato e que impacta na vida cotidiana do brasileiro.

“Se crescemos pouco, estamos em desvantagem para competir pelas pessoas e pelas ideias mais brilhantes que surgem em nosso próprio país. Exportando nossos talentos, perdemos a grande oportunidade de evoluirmos como país: em termos de renda e em termos de desenvolvimento — e esse é o verdadeiro ‘Custo Brasil'”, comenta Pedro Fernandes, presidente do Instituto de Formação de Líderes, organizador do evento.

A fala do presidente revela parte do pensamento que deu origem ao tema deste ano e que serviu de gancho para algumas das mentes mais brilhantes sobre o assunto.

Presidente da Foundation for Economic Education (Atlanta, EUA), economista mestre em História e doutor honoris causa em Direito e Administração Pública, Lawrence Reed fez um comparativo entre economias pautadas no protecionismo e as pautadas no livre mercado. “Há muito mais a ser ganho na cooperação, na associação pacífica do que no conflito e na guerra. Essa é uma das leis da economia. Em muitos lugares do mundo não entendem isso”. Ao defender fortemente o livre mercado, sentenciou: “”Quando bens não atravessam fronteiras, exércitos atravessam. Quando você fecha as portas para o comércio, você abre para o conflito”.

Ana Carla Abrão, partner da Oliver Wyman, especializada em finanças públicas, doutora em economia pela USP, fez, juntamente com fundador e presidente do Instituto Alfa e Beto, João Batista Oliveira, um painel para discutir o sistema educacional brasileiro e o problema de produtividade que o país enfrenta.

“É impossível falar em aumento de produtividade do Brasil sem falar em aumento de produtividade do setor público”, disse Ana. “ O estado brasileiro é o grande responsável pela desigualdade de oportunidades e injustiça social.

Precisamos resgatar a capacidade de gerir pessoas no serviço público brasileiro. A estabilidade é interpretada e aplicada de modo errado”, criticou Ana.

João Batista avaliou a educação no Brasil. “ É vital para o país ampliar o ensino médio técnico, ter maior diversificação do ensino superior (temos um modelo único que emperra o processo) e aprimorar políticas para absorção de jovens no mercado de trabalho”.

Economista-chefe da XP Investimentos e doutora em economia pela USP, Zeina Latif, e o colunista do jornal Folha de São Paulo, Alexandre Schwartsman, falaram sobre os cenários macroeconômicos para os próximos anos do Brasil. Para Zeina, “a Reforma da Previdência sozinha não vai fazer o país crescer. É essencial que se dê continuidade às reformas que estão em pauta como a tributária. E completou: “Vivemos um cenário de pouco desenvolvimento e uma indústria obsoleta”.

Schwartsman demonstrou otimismo cauteloso. “Este será um ano melhor, mas a recuperação é fraca comparada a outras recuperações de recessões passadas”. Sobre a pergunta “por que o Brasil não deslancha de vez?”, disse que temos um problema de desequilíbrio fiscal que o país não tem dado mostras de conseguir resolver. E não é um fenômeno de hoje, ele vem crescendo”.

Especialista nas tendências do futuro do trabalho no Brasil e no mundo, Joseph Teperman e o empreendedor no ramo das criptomoedas, Rocelo Lopes, tiveram o desafio de falar sobre o papel do empreendedor na solução do Custo Brasil.

Para Teperman, “o futuro no Brasil é brilhante. Tem gente boa fazendo acontecer. Vejo muito jovem dizendo ‘sou protagonista da minha própria história’”. E ainda avaliou o mundo tecnológico que vivemos. “O presente é digital, mas também é muito humano. Empresas de tecnologia dizem que falta mão de obra”.

Rocelo argumentou sobre as criptomoedas. “Hoje conseguimos usar a criptomoeda para pagar o cafezinho facilmente. Posso ir a vários lugares do mundo que ela vai ser aceita”. E listou as vantagens: “Baixo custo de transação, sem intermediários, extremamente rápido, aceito em centenas de países, sem burocracia. Isso tem tudo a ver com a redução do Custo Brasil”.

Caio Coppolla, comentarista de política da rádio Jovem Pan, e o doutor em Filosofia pela USP, Eduardo Wolf, analisaram as dimensões políticas do Custo Brasil e do baixo grau de desenvolvimento do país no painel “Desafios da Política Brasileira”. Wolf fez um apanhado dos maiores eventos políticos e econômicos dos últimos 25 anos e seus conflitos. “O Plano Real retirou milhões da miséria extrema, mas havia uma guerra ideológica. O PT era contra tal plano. Esse tipo de conflito alimenta diretamente o Custo Brasil. Ao passo que o Bolsa Família também tirou milhões da miséria e, assim como no Plano Real, enfrentou uma guerra ideológica”.

Caio comentou que a própria Constituição freia o desenvolvimento do país e possibilita oligarquias que parasitam o poder. “Temos uma Constituição prolixa, extensa”.

O grande momento ficou por conta do ex-presidente do Banco Central e um dos pais do Plano Real, Gustavo Franco. Ele encerrou o 4º Fórum discutindo o Brasil após o Plano Real e traçando um paralelo entre as reformas que o País precisa hoje e aquelas reformas que foram realizadas entre 1994 e 2000. No keynote O Valor do Amanhã no País do Futuro, o homenageado do dia e convidado especial, Gustavo Franco disse que na experiência com o Plano Real tirou lições e identificou desafios.

“A distância entre o hoje e o amanhã passa pela moeda”, iniciou Franco. “A inflação era um imposto sobre o pobre, o indefeso no excesso entre desejos e possibilidades, o despossuído de correção monetária, um ausente das composições políticas”.

Segundo Franco, a inflação funcionava como uma droga ilegítima, um meio pecaminoso para o desenvolvimento.  “Agora o assunto é dívida como a bola de neve do sistema previdenciário”. O ex-presidente do Banco Central falou ainda do que chamou de “Custo Dilma Rousseff” com as reformas no governo petista e a perda de capital gigante no país. Criticou a “economia do privilégio” vigente atualmente, onde o Estado existe para criar rendas de monopólio, gratuidades e facilidades.

“O ‘gato’ de energia é um retrato eloquente do Custo Brasil, pois alguém está pagando por esse ‘gato’, esses pequenos privilégios em detrimento de muitos”, finalizou.

Dois livros foram lançados durante o evento. O lançamento nacional de “Excuse Me, Professor”, do americano Lawrence Reed, onde ele desmistifica uma série de assuntos políticos e econômicos. Lawrence joga uma luz sobre esses pontos. O outro lançamento foi o e-book “Custo Brasil”, com artigos associados ao IFL-SC, discutindo o tema do Fórum.

“Conseguimos demonstrar que o Custo Brasil não é uma matéria de pura abstração, ou tão somente reservada à economia — o “Custo Brasil” é um atraso de desenvolvimento humano que o país enfrenta. Se continuarmos onerando a inovação e o empreendedorismo com esse custo, estaremos presos a uma baixa qualidade de vida”, concluiu Pedro Fernandes.

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