Manifestação questionando terrenos de marinha na Trindade reuniu 110 moradores

Evento ocorreu no sábado (13). Aproximadamente 3 mil famílias do bairro podem perder a propriedade de seus imóveis

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Com a proposta de mobilizar e conscientizar a população do bairro Trindade, a Associação dos Atingidos pela Demarcação dos Terrenos de Marinha na Trindade (ATMT) promoveu uma manifestação no último sábado (13), na Rua Lauro Linhares. O evento reuniu 110 moradores vestidos de preto e munidos de cartazes e faixas questionando a demarcação e exigindo a extinção dos terrenos de marinha.

O protesto já previu os novos atos do Governo Federal sobre o fato, inclusive a emissão das notificações aos moradores. “Antes nos mobilizávamos a cada movimento do Estado. Agora, pela primeira vez desde 2005, quando começou a nossa luta, estamos sendo proativos para estarmos preparados para defender os nossos direitos”, explica Elisete Pacheco, presidente da ATMT.

O próximo passo da associação é promover uma reunião aberta dos moradores atingidos pelos terrenos de marinha. O evento ocorrerá no próximo dia 24 de abril (quarta-feira), às 19 horas, na Escola Pública Estadual Simão José Hess (Rua Madre Benvenuta, 463 – Trindade).

Discussão sobre terrenos de marinha ocorre desde 2005

Florianópolis discute desde 2005 a situação da nova demarcação dos terrenos de marinha sem que nada até o momento tenha sido definido. A cada dia aparecem novidades sobre o caso, como a possibilidade de cerca de 3 mil famílias moradoras do bairro Trindade terem seus imóveis notificados como terrenos de marinha, uma vez que em 2015 a SPU terminou o processo administrativo de demarcação da cidade.

Com base nos mapas divulgados no site da Prefeitura de Florianópolis (Geoprocessamento), a Associação de Atingidos por Terreno de Marinha do Bairro Trindade (ATMT) mapeou 99 lotes e 30 condomínios do bairro como afetados pela nova demarcação de terreno de marinha.

Entidade questiona falta de critério para demarcação de terrenos

Ana Claudia Caldas, diretora comunitária da Associação, é enfática ao falar do desrespeito e da falta de critérios técnicos da nova demarcação, havendo, inclusive, demarcação da Linha Média de Preamar do ano de 1831 com ângulo de 90 graus. Técnicos afirmam ser impossível de aferir hoje onde esteve a dita linha de preamar e ainda há os que dizem que a linha preamar já está dentro do oceano. “É estranho pensarmos que na Trindade, que não fica perto do mar, haja terrenos de marinha, e em Jurerê Internacional não. Ao mesmo tempo, Jurerê Nacional também é afetado. Qual é o critério? Como foi feita essa demarcação?”, questiona.