Ex-secretários prestam esclarecimentos à CPI do Transporte

Depois de ouvir os membros do Conselho de Mobilidade Urbana, os membros da comissão agora apuram o processo de integração dos ônibus e o histórico de evolução do serviço de transporte público em Florianópolis.

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A CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) do Transporte, que investiga a existência de irregularidades no transporte coletivo da Capital, reuniu-se nesta quinta-feira (13) para colher depoimentos de dois ex-secretários do transporte de Florianópolis. Depois de ouvir os membros do Conselho de Mobilidade Urbana, os membros da comissão agora apuram o processo de integração dos ônibus e o histórico de evolução do serviço de transporte público em Florianópolis.

O vereador Renato Geske (PL) afirmou que os dois depoimentos do dia foram importantes. “Acredito que precisamos mudar a lei que rege o conselho (de mobilidade, ele tem sim que votar a aprovação ou não de um aumento, mas precisa ser melhor estruturado. Os setores que utilizam o transporte precisam decidir junto, afinal o preço da passagem interfere diretamente na vida do passageiro”, disse o relator da CPI do Transporte.

Valmir Humberto Piacentini, que respondeu pela pasta em 2013 e 2015, gestão do ex-prefeito Cesar Souza Junior (PSD), foi um dos depoentes. Ele explicou como era calculada a tarifa na época: “Era uma planilha de custos da empresa e da taxa de lucratividade que a empresa poderia ter. Se aumentasse o número de passageiros, a passagem diminuiria. O conselho não era usado para avaliar a passagem, mas os cálculos eram fiscalizados”, afirma, explicando que antigamente o conselho não avaliava as alterações no preço.

Na sequência, Piacentini ainda sugeriu aos vereadores que criassem um projeto de lei para que empresas que prestam serviços públicos publiquem suas prestações de contas. Ele foi o segundo a depor nessa quinta-feira.

O primeiro a prestar esclarecimentos foi Arlindo Francisco, que foi secretário na gestão do ex-prefeito Bulcão Viana (PFL), no ano de 1992: “Na época votamos um aumento de tarifa sim, mas a correção era sempre abaixo do valor da inflação”. A inflação em 1992 foi de 1.119% de acordo com o IPC Brasil. A passagem de ônibus da Capital aumentou 55% em apenas quatro anos, de acordo com o vereador Afrânio Boppré, enquanto o reajuste do índice de Preços do Consumidor foi de 28,8%.

Arlindo relatou que ficou pouco tempo no cargo então não participou da tomada de decisão em relação à organização do transporte coletivo em terminais, outro ponto investigado pela CPI do Transporte, em especial em relação aos terminais sem utilização nos bairros Saco dos Limões, Capoeiras e Jardim Atlântico.

Outra sugestão pautada na reunião da comissão foi a de que técnicos que entendam da análise das tabelas e do aumento tarifário participem da CPI junto aos vereadores e depoentes.