Após 10 anos nas ruas em Florianópolis, Wanderley decide aceitar auxílio da Prefeitura

Ele foi até a Passarela da Cidadania, tomou banho, fez a barba e ganhou roupas novas. Em seguida foi encaminhado para uma fazenda terapêutica, onde receberá tratamento durante os próximos 9 meses. Quando sair, terá uma proposta de emprego lhe esperando

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Na foto, Wanderley e uma das integrantes da força-tarefa DOA, a assistente social, Sandra Boeing, que o acompanhou desde o início das abordagens

Desde o início da atuação da força-tarefa Defesa, Apoio e Orientação (DOA), há cerca dois anos e meio em Florianópolis, Wanderley Santiago passou a ser uma figura conhecida da equipe de abordagem. Natural da cidade de Cruzeiro (SP) ele não tinha um lar. Seu abrigo era uma espécie de acampamento improvisado com papelões. Seu endereço era anexo a uma das colunas do elevado Dias Velho, no Centro da Capital. Dos seus 53 anos vividos, 10 foram nas ruas. Ele sobrevivia por meio de pequenos trabalhos para feirantes locais.

A força-tarefa DOA segue um cronograma semanal de abordagens em todas as regiões. O Centro da cidade, por concentrar um maior número de pessoas em situação de rua, recebe duas vezes por semana, a visita da equipe, que orienta cada indivíduo, sobre todos os serviços oferecidos pela Prefeitura de Florianópolis para a população de rua. Wanderley era resistente. Sempre que era abordado, recusava qualquer tipo de auxílio ou serviço da Prefeitura.

Foto do antigo “endereço” do Wanderley, anexo a uma das colunas do elevado Dias Velho

Mas esse cenário mudou na última semana. A equipe de abordagem foi surpreendida quando em uma das abordagens, Wanderley pediu ajuda. Foi orientado a fazer todos os exames médicos necessários. Na última quinta-feira, 19, esteve na Passarela da Cidadania pela manhã, onde tomou banho, fez a barba e ganhou roupas novas. Se despediu da equipe, e em seguida foi encaminhado para uma fazenda terapêutica, onde receberá tratamento durante os próximos 9 meses. Quando sair, terá uma proposta de emprego lhe esperando.

Antes, sua bagagem era composta por uma cabana improvisada com papelões, fogão portátil, ventilador, rádio de cabeceira, varal de chão e malas. A partir de agora, ele deixa tudo isso para trás e parte rumo a um futuro digno. “Estou feliz tenho só a agradecer a paciência e a ajuda dessas pessoas, que estão dispostas a ajudar quem quiser ser ajudado, como eu quis. Na hora que eu pedi, eles me atenderam,” afirmou Wanderley.

“Ficamos na torcida e felizes com esta oportunidade que tivemos neste dia de mostrar que nosso trabalho consiste em defender, apoiar e orientar as pessoas que estão em situação de rua e que desejam buscar uma nova vida. Ficamos muito emocionados. Que o Wanderley tenha um belo futuro,” conclui o Diretor do Sistema Único de Assistência Social, Ricardo José de Souza.

Sobre a Força-tarefa DOA

A equipe da força-tarefa é 70% composta por órgãos da administração municipal e 30% formada por entidades e representantes da sociedade civil organizada. E uma das 3 equipes de abordagem e busca ativa da Prefeitura de Florianópolis. A equipe segue um cronograma diário, mas também atende demandas específicas em conjunto com os agentes de Sensibilização.

Panorama das pessoas em situação de rua em Florianópolis

De acordo com registros da Secretaria municipal de Assistência Social, em 2016, o número de pessoas em situação de rua em Florianópolis era de 937. Hoje, após a criação da Passarela da Cidadania, que oferece 80 vagas para pernoite, 450 refeições diárias, corte de cabelo e atendimento psicossocial; e criação da equipe de sensibilização e força-tarefa DOA, esse número foi reduzido em quase 50%, tendo atualmente, 459 pessoas cadastradas. A estimativa é de que se esse trabalho não fosse realizado pela Prefeitura de Florianópolis, o número de pessoas vivendo nas ruas poderia chegar a 2 mil.

Em 2017, o número de passagens para retorno a cidade de origem foi de 230. Em 2018, 510 pessoas em situação utilizaram esse auxílio. Somente este ano, até o mês atual, Cerca de 300 bilhetes foram entregues.

A população também pode ajudar a mudar esse cenário

Caso uma pessoa seja encontrada em situação de vulnerabilidade, a equipe de Sensibilização, um dos grupos de abordagem, pode ser acionado pelo telefone (48) 3223.8566, das 8h às 20h, para que agentes possam ir até o local e oriente o indivíduo acerca dos serviços oferecidos pela Prefeitura. Não dar esmolas também é uma forma de evitar que a população de rua permaneça vulnerável e resista aos serviços prestados por profissionais capacitados. A equipe de Sensibilização estendeu os dias de atuação, passando a oferecer os serviços de acolhimento da Prefeitura, também aos finais de semana e feriados.

Os serviços realizados pela administração municipal em prol da população de rua, são ofertados pelas equipes de abordagem, diariamente, em todas as regiões da Capital. Quem deseja conhecer todo o suporte que a Prefeitura disponibiliza, pode acessar uma cartilha com todas às informações pelo link bit.ly/CartilhaSocial

Prefeitura oferece vagas em sete abrigos

Projeto Passarela da Cidadania;
Abrigo no Jardim Atlântico;
Albergue Noturno Manoel Galdino;
Serviço de Acolhimento para Pessoa em Situação de Rua (Abrigo Centro);
Casa de Passagem para Pessoa em Situação de Rua (Centro);
Serviço de Acolhimento para Pessoa em Situação de Rua (Casa de Apoio Capoeiras – Continente);
Casa de Passagem para Mulheres Vítimas de Violência e em situação de Rua.