Florianópolis já registra 10 casos de sarampo; sendo oito novos em três semanas

De rápido contágio - 8 deles foram confirmados em menos de 30 dias - a vacinação é a única maneira de conter a doença

0
64

No final de julho a Secretaria Municipal de Saúde de Florianópolis divulgou um boletim epidemiológico alertando para dois casos de sarampo confirmados naquele mês. Em pouco mais de 3 semanas, 8 novos casos do sarampo já foram confirmados na Capital catarinense. Destes, 4 foram contraídos dentro de Florianópolis, comprovando que o vírus é rápido e que já circula por aqui.

Os primeiros sintomas do sarampo podem aparecer de 1 a 3 semanas após o contato com o vírus. Dessa forma, uma pessoa com sarampo pode transmitir a doença antes mesmo de saber, ou sentir, que está doente, já que a contaminação começa 6 dias antes do indivíduo apresentar manchas na pele e segue até 4 ou 5 dias após esse sintoma. Para se ter uma ideia real da velocidade com que o vírus do sarampo se espalha, especialistas em infectologia afirmam que podemos pensar que um indivíduo com sarampo tem o poder de contaminação 4 vezes superior ao de um indivíduo com o vírus da gripe; contaminando, assim, cerca de 20 pessoas ao seu redor. Unido a esse extremo poder de contaminação o fato do indivíduo já estar transmitindo o vírus antes mesmo que se sinta doente, temos o que vemos hoje: o rápido avanço da doença, que há anos julgávamos erradicada do país.

“Você já imaginou como pode ser rápido para esse vírus se espalhar em ambientes aglomerados como festas, shows, transporte público, voos e tantos outros locais que fazem parte do nosso dia a dia? Por esse motivo a imunização é a única forma eficaz para barrar o vírus e evitar um surto por aqui também”, afirma Ana Cristina Vidor, especialista em epidemiologia, médica e gerente de Vigilância Epidemiológica de Florianópolis.

Recentemente, a Vigilância em Saúde da capital pediu a ajuda da população para localizar passageiros de um voo oriundo de Guarulhos, que desembarcou em Florianópolis trazendo um passageiro que já estava com o vírus do sarampo, mas ainda não apresentava os sintomas da doença. “Nestes casos é fundamental que tenhamos acesso a todos os demais passageiros para realizarmos as medidas de bloqueio do vírus o quanto antes”, explica a especialista.

Primeiros casos de transmissão dentro de Florianópolis

Até a última sexta-feira (16), Florianópolis ainda não havia confirmado nenhum caso contraído dentro da cidade. Mas agora o cenário já é diferente:

“Hoje temos 6 casos confirmados importados confirmados na capital catarinense, e 4 secundários – significa que contraíram em Florianópolis, a partir do contato com casos importados”, explica Ana Cristina Vidor.

“As vacinas contra o sarampo, assim como a da febre amarela, doença que já se aproxima e devemos nos preocupar com medidas preventivas, estão disponíveis para a imunização da população em todas as nossas salas de vacinação, localizadas nos centros de saúde municipais. É extremamente importante que a população verifique sua carteirinha de vacinação e compareça ao Centro de Saúde, que lhe for mais conveniente, para evitar que a doença se espalhe na nossa cidade”, reforça Carlos Alberto Justo da Silva, Secretário de Saúde de Florianópolis.

Fake news e o verdadeiro inimigo

Especialistas da Vigilância Epidemiológica de Florianópolis alertam para os perigos das fake news contendo informações falsas sobre a vacina e amplamente compartilhadas pelas redes sociais.

“Esse tipo de compartilhamento irresponsável gera receios em uma parcela da população e reforça ideias equivocadas, sem nenhum embasamento real. A vacina do sarampo, bem como todas as vacinas que fazem parte do calendário mundial de vacinação, é aliada à saúde da população e apresenta-se como a única forma realmente eficaz para conter o avanço de doenças altamente perigosas como sarampo, febre amarela, entre outras”, reforça Ana Vidor.

Para a médica epidemiologista, além de negligência e irresponsabilidade social, difundir fake news, recusar a vacina ou não vacinar seus filhos é um grande perigo não apenas para a pessoa que faz isso, ou para a própria família, mas também para toda a comunidade, pois coloca em risco a saúde de todos que convivem de forma direta e indireta com esse indivíduo.

Quem deve se vacinar?

Todo mundo que nunca tomou a vacina e todos aqueles que não têm certeza se já tomaram deve procurar um posto de saúde municipal e receber a vacina de forma gratuita.
Pelo Calendário Nacional de Vacinação, a tríplice viral, que ainda protege contra caxumba e rubéola, deve ser administrada aos 12 meses de vida, e a tetra viral – acrescenta varicela (catapora) à lista de doenças combatidas – aos 15 meses.

Pessoas de 10 a 29 anos, que não tomaram a vacina quando crianças precisam receber duas doses da tríplice viral. Muitos jovens dessa faixa etária nasceram em uma época em que a segunda dose não fazia parte do Calendário Nacional de Vacinação. Assim, é importante verificar a carteirinha de vacinação e, na dúvida, receber a segunda dose da vacina ou as 2 doses.

Na faixa etária de 30 a 49 anos, a dose é única.

Quem não deve tomar a vacina?

Pessoas com alergia grave ao ovo, pacientes em tratamento com quimioterapia, gestantes, portadores de imunodeficiências congênitas ou adquiridas, quem faz uso de corticoide em doses altas, transplantados de medula óssea e bebês com menos de seis meses de idade.