Carnes, combustíveis e energia provocam alta da inflação em novembro, informa Udesc Esag

A alta foi puxada principalmente pelo aumento forte no preço das carnes bovina e suína (13%), além da energia elétrica (5,5%) e combustíveis (3,8%). A inflação acumulada, no entanto, permanece baixa, com 3,16% em 2019 e 3,38% nos últimos 12 meses

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A inflação sentida pelos consumidores de Florianópolis voltou a subir em novembro (0,38%), depois de ter ficado praticamente estável no mês anterior. A alta foi puxada principalmente pelo aumento forte no preço das carnes bovina e suína (13%), além da energia elétrica (5,5%) e combustíveis (3,8%). A inflação acumulada, no entanto, permanece baixa, com 3,16% em 2019 e 3,38% nos últimos 12 meses.

Os números são do Índice de Custo de Vida (ICV), calculado mensalmente pela Universidade do Estado de Santa Catarina (Udesc), por meio do Centro de Ciências da Administração e Socioeconômicas (Esag), com apoio da Fundação Esag (Fesag).

Carnes

Os churrascos de fim de ano vão sair mais caros, com o aumento médio de quase 13% nos preços das carnes em novembro. Os cortes com maiores altas são patinho (21,1%), alcatra (16,6%), contrafilé (15%) e filé mignon (10,8%). O aumento da carne anulou a baixa verificada na maioria dos itens de alimentação e bebidas, que subiram em média 1,38%.

De acordo com o coordenador do ICV/Udesc Esag, Hercílio Fernandes Neto, fatores dos mercados externo e interno se combinaram para produzir o aumento no preço das carnes. O crescimento da demanda chinesa por proteína animal, a alta do dólar e a defasagem dos preços no mercado interno fizeram os frigoríficos direcionarem as vendas para exportação.

“A China, que enfrenta uma crise na produção suína, principal proteína consumida lá, está comprando carne bovina do mundo inteiro como substituto da carne de porco e o Brasil é um dos maiores fornecedores do mundo”, explica Fernandes. “Além disso, a alta do dólar torna a exportação muito atrativa, e como produzir bois leva tempo, não sobra o suficiente para o mercado interno, onde os preços aumentam pela falta do produto”.

Por outro lado, os preços internos estavam defasados. “Nos últimos três anos, houve certa estabilidade nos preços das carnes, que não acompanharam os aumentos nos custos de produção”, afirma Fernandes. “Assim, os produtores viram uma oportunidade rara com a súbita alta nos preços para exportação”.

Combustíveis e energia

Depois das carnes, as tarifas de energia e os preços dos combustíveis chamaram atenção pela alta em novembro. A energia elétrica teve aumento de 5,5% devido a mudança de bandeira tarifária de amarela para vermelha (mecanismo que encarece a tarifa quando as condições de geração não são favoráveis). Com isso, os gastos com habitação tiveram alta média de 1%.

Os combustíveis para automóveis subiram 3,82%, especialmente no fim do mês – e seguem subindo em dezembro. “Somente o aumento dos combustíveis nos últimos dias é responsável por 0,08% dos 0,38% da inflação do mês”, afirma o coordenador do ICV/Udesc Esag. O aumento tem relação com a alta do dólar, que afeta a política de preços da Petrobras. A alta dos combustíveis elevou os gastos com transporte em 1,14%, em média.

Sobre o Índice de Custo de Vida

O ICV/Udesc Esag registra a variação dos preços de 297 produtos e serviços consumidos por famílias de Florianópolis com renda entre 1 e 40 salários mínimos. Para o último boletim mensal, os dados foram coletados entre os dias 1º e 30 de novembro.

A metodologia é a mesma usada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) para o cálculo do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), referência oficial para a meta de inflação nacional. Para o cálculo do ICV, a Udesc Esag conta com o apoio da Fundação Esag (Fesag), na atualização das ferramentas utilizadas.

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