Deputado João Amin quer o retorno das aulas em SC

Deputado estadual protocolou um projeto de lei na Assembleia Legislativa cobrando o retorno das aulas em instituições públicas e privadas no Estado, justamente no período em que as autoridades sanitárias apontam para o período mais severo da Covid-19

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O deputado estadual, João Amin (PP) está cobrando o retorno das aulas nas escolas publicas e privadas em Santa Catarina, mesmo num período em que as autoridades sanitárias apontam que será o mais severo da pandemia do novo coronavírus no Estado e Brasil.

As aulas estão suspensas desde março e para forçar o retorno o deputado protocolou nesta semana um projeto de lei na Assembleia Legislativa. Em vídeo publicado nesta segunda (18) o deputado tenta explicar o objetivo da medida, sendo “como maior preocupação as instituições privadas quebrarem e isso causar um colapso na rede publica de ensino”.

Em entrevista coletiva também nesta segunda o governador Carlos Moisés e o secretário de Estado da Educação, Natalino Uggioni, destacaram que o trabalho na Educação não parou, apesar da suspensão das aulas presenciais, que, segundo eles, não têm prazo para retornar.

Já o Sindicato dos Trabalhadores no Serviço Público Municipal de Florianópolis (Sintrasem) emitiu uma nota afirmando que o projeto do deputado atende interesse das empresas e não da população. “O deputado João Amin (PP), desconhecendo totalmente a estrutura da educação pública de Santa Catarina, sucateada ao longo dos anos por governos privatistas, como os do seu pai Esperidião Amin e de sua mãe Angela Amin, propôs o projeto na Assembleia Legislativa intitulado de ‘Volta às aulas’. Escancaradamente uma proposta vinda de empresários da educação, que sempre trataram o ensino como mercadoria”, diz nota do Sindicato, que pode ser vista na íntegra no final desta matéria.

Escolas estaduais com ensino à distância

Em relação às atividades não presenciais, o governador Carlos Moisés salienta que aproximadamente 402 mil alunos da rede estadual, o equivalente a 75% dos matriculados, acessam atividades na plataforma on-line utilizada pela Secretaria de Estado da Educação (SED). Para os estudantes com acesso restrito ou sem acesso à internet, em torno de 25%, está ocorrendo a entrega de materiais impressos com orientações adaptadas do plano de ensino docente, para que o aluno possa estudar. A entrega na escola ocorre a cada semana ou quinzena, com apoio das Coordenadorias Regionais de Educação e da comunidade escolar para distribuir as atividades para as famílias de alunos que não conseguem se deslocar até a escola.

“O Estado está atuando para auxiliar os alunos e seus familiares neste momento crítico. É necessário que os estudantes sejam atendidos da melhor maneira em uma situação como essa, em que ainda se estuda o momento para que possa ocorrer o retorno das atividades presenciais”, afirmou o governador.

O secretário de Estado da Educação, Natalino Uggioni destaca que, dos cerca de 26 mil professores ativos na rede de ensino, o engajamento entre os docentes está na casa dos 90% via plataforma Google. Segundo o secretário, a Diretoria de Ensino da SED reporta que outros docentes, como em anos iniciais, vêm se utilizando de ferramentas distintas para melhor interação com seus alunos, como aplicativos de mensagens e vídeos. As Coordenadorias Regionais de Educação também monitoram estas ações e a busca ativa das escolas pelos alunos sem acesso à internet.

“Todas as nossas ações são feitas com muita seriedade. Estamos avaliando todas as demandas que nos chegam de representantes das instituições de ensino e trazemos para o debate junto ao Centro de Operações de Emergências em Saúde (Coes). A Educação não parou e nosso trabalho segue firme para buscar novas soluções, enquanto não há o retorno das aulas presenciais”, afirma.

Outra ação da SED é usar o transporte escolar, de maneira pontual, para fazer as entregas de materiais a alunos com dificuldade de deslocamento à escola. Ao menos 900 alunos da rede recebem as atividades dessa forma.

A DEFESA DO DEPUTADO AO SEU PROJETO

No final do dia desta segunda-feira (18) o deputado João Amin publicou em sua rede social um texto e um vídeo (que podem ser conferidos abaixo na íntegra) tentando explicar o motivo que o levou a apresentar um projeto de lei para a volta às aulas justamente no momento em que as autoridades sanitárias apontam como o período mais severo da Covid-19.

Leia abaixo na íntegra:

“Acredito que muitos dos que estão criticando o projeto que permite a retomada das atividades escolares em Santa Catarina estejam com dúvidas sobre como se dará o processo. Portanto quero aqui ressaltar os pontos que esclarecem a proposta apresentada por mim.

1 – O retorno será autorizado de forma gradativa. 17 de junho começam os alunos da educação infantil, 1 de julho o Fundamental e o Médio, e 15 de julho o retorno das atividades de ensino superior. Durante as 4 primeiras semanas, as turmas deverão ser divididas em 2 grupos, para que não haja aglomeração. Lembre-se: autorizado NÃO SIGNIFICA OBRIGADO, ou seja, quem tiver condições, pode permanecer em casa. Essa forma permite que os pais que precisarem possam levar os filhos para a escola. Os que não precisarem, ou não quiserem, NÃO SÃO OBRIGADOS A LEVAR!!

2 – Os que convivem com avós ou grupos de risco pode continuar no ensino online por até 8 semanas além do início das aulas, podendo esse prazo ser prorrogado pela Secretaria de Educação. Resumindo: o aluno que não puder ou não quiser começar em 1 de julho pode começar as aulas presencialmente NO INÍCIO DE SETEMBRO.

3 – O acesso a todas as escolas deverá ser precedido do preenchimento de um formulário simples, onde a família se compromete que não teve sintomas e não conviveu com pessoas com sintoma nos últimos 14 dias! Se a situação mudar, a família tem obrigação de informar!

4 – Os professores e servidores de grupo de risco podem permanecer em casa e as ESCOLAS DA REDE PÚBLICA, para as quais não foi dada a devida estrutura, NÃO TERÃO OBRIGAÇÃO DE REABRIR e poderão manter o ensino à distância!

5 – Os diretores das escolas possuem TOTAL LIBERDADE para escolher a melhor maneira de continuar as aulas, NÃO SENDO OBRIGADOS A ADOTAR O ENSINO PRESENCIAL.

6 – Municípios podem tomar medidas mais restritivas.

É bom ressaltar que a ALESC é um ambiente de debate e que o projeto não é imutável. A falta de um plano geral não poderia impedir o começo da discussão desse assunto importantíssimo para todos.

Espero que possamos chegar em um ponto de acordo, em uma estratégia comum para que superemos essa crise.

Qualquer decisão tomada em uma crise será difícil e desagradará a muitos, o que não podemos é ficarmos petrificados pelo medo do debate.

Caso tenha alguma dúvida sobre o nosso projeto, encaminhe para o nosso whatsapp (48) 99901-0488 que responderemos”.

https://www.facebook.com/joaoamin11/videos/534784994074351/

VEJA ABAIXO TAMBÉM A NOTA DIVULGADA PELO SINTRASEM, SOBRE O RETORNO DAS AULAS

NOTA DE REPÚDIO DA CUT-SC AO PROJETO ESTADUAL “VOLTA ÀS AULAS”

Deputado João Amin (PP), desconhecendo totalmente a estrutura da educação pública de Santa Catarina, sucateada ao longo dos anos por governos privatistas, como os do seu pai Esperidião Amin e de sua mãe Angela Amin, propôs o projeto na Assembleia Legislativa intitulado de “Volta às aulas”.

Escancaradamente uma proposta vinda de empresários da educação, que sempre trataram o ensino como mercadoria, o parlamentar apresenta um cronograma de retorno dos estudantes e trabalhadores em tempos que os números de infectados pelo Covid-19 no Brasil e em Santa Catarina não param de crescer, alcançando agora municípios do interior que não tem sequer estrutura hospitalar para atender a demanda normal da região.

Na proposta de João Amin, ele fala em garantia de higienização diária das unidades de educação, da garantia de álcool em gel para acesso às escolas, da manutenção do distanciamento entre os estudantes e profissionais, da não aglomeração das famílias em frente às escolas, etc. Uma ideia que parece extraordinária, mas totalmente fora da realidade da educação brasileira e, mais ainda, das escolas públicas de Santa Catarina.

A proposta do parlamentar só demonstra o quanto a oligarquia catarinense, representada pela família Amin, desconhece a vida do povo e as condições precárias de educação que são ofertadas aos catarinenses. Tendo grande parte das salas de aulas superlotadas, com falta de materiais básicos de ensino nas escolas, com falta até de papel higiênico que precisa ser comprado pelas Associações de Pais e Alunos – APPs.

Em seu discurso de apresentação do projeto, o parlamentar – que é filho de senador e de deputada federal -, se disse preocupado com o acesso das crianças vulneráveis com a alimentação oferecida nas escolas e com o desemprego em massa que acontece na rede privada. Mas ao invés de pressionar (junto com seus pais) para que medidas urgentes sejam tomadas em nível federal, estadual e municipal, o parlamentar propõe que as crianças e profissionais da educação se exponham neste momento de chegada do pico de contaminação no Brasil.

A Central Única dos Trabalhadores de Santa Catarina – CUT-SC, que tem na sua base sindicatos que representam trabalhadores na educação da rede pública estadual e municipal e de trabalhadores da educação privada, vem a público manifestar seu total repúdio a este projeto “Volta às aulas” do deputado João Amin.

Vivemos em um momento de profunda crise mundial sanitária e econômica, a doença agora que chegou nas comunidades periféricas do país, regiões que não possuem estrutura de saneamento e tão pouco de acesso à saúde básica. O projeto do deputado no momento em que estamos – longe de controlar a pandemia – ajudará ainda mais na propagação do vírus e na morte dos catarineneses. A educação precisa ser repensada e os gestores precisam compreender as mudanças drásticas ocorridas na vida das famílias, devido à pandemia. Não dá para expor nossas crianças, adolescentes e trabalhadores da educação para garantia de calendário escolar ou lucro de escolas particulares.

Queremos uma posição urgente dos gestores que garanta alimentação as crianças em vulnerabilidade. Queremos políticas que atendam os trabalhadores da educação que perderam seus empregos com a crise do Coronavirus. Queremos total atenção dos gestores para garantia de acesso à educação com equidade para toda a população! Queremos condições de trabalho com segurança aos profissionais da educação!

Queremos respeito com as nossas vidas, com as vidas dos estudantes e de seus familiares!

 

1 comentário

  1. Esse nobre deputado está agindo com interesse das organizações privadas de ensino, pois demonstra falta de conhecimento do que é o ensino público!!!!!!!!
    Escola pública: Excesso de crianças em sala, falta de professores (contratadas mais do que as efetivas) falta de espaço físico e materiais, crianças com necessidades especiais severas, pobreza… Etc……

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