Coletivo lança campanha para inibir o assédio a mulheres no Carnaval em Santa Catarina

As artes trazem a mensagem do projeto — “Não é Não!” — e serão entregues gratuitamente às foliãs nos blocos de rua.

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A partir de financiamento coletivo, projeto quer distribuir
gratuitamente tatuagens temporárias com a mensagem Não é Não!
O coletivo feminista Não é Não! lança financiamento coletivo [1]
para confeccionar e distribuir tatuagens temporárias contra o assédio
durante o Carnaval 2020 em Santa Catarina. As artes trazem a mensagem do
projeto — “Não é Não!” — e serão entregues gratuitamente às
foliãs nos blocos de rua. A campanha para arrecadação dos recursos
está disponível até o dia 16 de janeiro por meio da plataforma
Benfeitoria: https://benfeitoria.com/naoenaosc .

Para distribuir as tatuagens, existirá uma rede de mulheres treinadas
em cada bloco participante. “Será uma distribuição consciente. A
gente busca conversar, explicar por que é importante tatuar apenas
mulheres, toda a questão da rede de apoio. Tudo isso para que o foco do
projeto não se perca no meio da folia”, explica Mari do Brasil,
embaixadora do coletivo Não é Não! em Santa Catarina.

Este é o quarto ano do coletivo, que já atuava na Bahia, Distrito
Federal, Goiás, Minas Gerais, Pará, Paraná, Pernambuco, Rio de
Janeiro e São Paulo na luta contra o assédio, na orientação e na
conscientização da população. Em 2020, além de Santa Catarina, o
grupo estreia nos estados do Amapá, Espírito Santo, Paraíba, Piauí e
Rio Grande do Sul.

O crime de assédio sexual é comum o ano inteiro e em todos os
períodos, mas é intensificado durante o carnaval, principalmente pela
falsa sensação de que “tudo é permitido”. A mensagem Não é
Não! é simples, objetiva e direta, mas ainda muito necessária. Os
números são alarmantes: ocorreram 135 estupros, por dia, em 2016.
Somente em 2017, uma mulher foi agredida a cada quatro minutos durante o
carnaval carioca e no primeiro semestre de 2018 a Central de Atendimento
à Mulher em Situação de Violência recebeu 73 mil denúncias,
através do telefone 180.

Coletivo Feminista Não é Não!

Criada em janeiro de 2017 pelo grupo de amigas Barbara Menchise, Aisha
Jacob, Julia Parucker, Nandi Barbosa e Luka Borges, o movimento teve
início após um episódio de assédio sofrido por uma delas em um
ensaio de bloco de carnaval. Naquele ano foram mobilizadas 40 mulheres
que se uniram na arrecadação de R$ 2.784 em apenas 48 horas, que foram
usados para a confecção de 4 mil tatuagens, distribuídas
gratuitamente pelas ruas da cidade para mulheres. Em seu segundo ano, o
movimento extrapolou os limites do Rio de Janeiro e chegou a mais quatro
estados como Minas Gerais, São Paulo, Pernambuco e Bahia, tamanha a
adesão das foliãs. Hoje o grupo conta com embaixadoras em 16 estados
brasileiros e segue crescendo, espalhando a mensagem contra o assédio
pelos quatro cantos do país.