Vereadores debatem Blocão em São José, os bastidores da presidência da Câmara na Capital e outras

Veja também nesta coluna as idas e vindas do vereador Renato da Farmácia (PL); a foto que diz muito sobre a eleição da presidência da Câmara da Capital e a deselegância do secretário de Estado da Infraestrutura, Carlos Hassler

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Vereador de São José, Moacir da Silva (PSD)

Surge o blocão em São José

O fato novo na política de São José é a consolidação de um Blocão envolvendo sete vereadores que pensam em construir um projeto para as eleições neste ano. Basicamente são os vereadores derrotados na eleição da presidência da Câmara no ano passado: Antônio Lemos (MDB), Caê Martins (PSD), André Guesser (PDT), Cristina de Souza (PRB), Sandra Martins (PSDB), Roinoldo de Assis Neckel (DEM) e Moacir da Silva (PSD).

Na verdade, desde ano passado boa parte destes vereadores trama uma aliança para a disputa municipal. Mas, nesta semana, a boataria correu forte, dando conta de que a estratégia seria uma debandada em massa na janela de mudança partidária que se avizinha para o PSDB, com vistas a fortalecer o projeto encabeçado pelo vereador Moacir para prefeito.

Para este colunista, Moacir (FOTO) confirmou que as tratativas estão bem avançadas para a construção de um projeto em comum. Porém, desconversou sobre a ida para o PSDB. “Sou PSD e estou no PSD”, salientando que sua intenção é ter o respaldo do grupo para, quem sabe, concorrer pelo próprio PSD. Mas, a escolha do cabeça de chapa ainda não está definida e outros poderão encabeçar o grupo. “O que é certo é que estamos discutindo para estarmos juntos. O grupo está unido”, frisou, finalizando que a conversa está ocorrendo com todos os vereadores, mas, com alguns está mais avançada.

Silêncio

A vereadora Sandra Martins, única do PSDB entre os vereadores do Blocão foi procurada por este colunista para explicar se o foco seria fortalecer o ninho tucano para tocar o projeto na majoritária, mas não atendeu.

Guinada radical

Fora este movimento do dito Blocão, o outro fato novo, que não é mais tão novo, na política de São José, é a filiação do advogado Fernando Anselmo no PSL, com a bênção do governador Carlos Moisés. Anselmo deixou no final do ano passado o PDT (esquerda) para ingressar no PSL (extrema direita), numa guinada radical. Foi o terceiro colocado na disputa da prefeitura na última eleição e pretende colocar seu nome novamente para apreciação da população.

Fábio Braga presidente

O vereador de primeiro mandato, Fábio Braga (PTB), de 38 anos, vai dirigir em 2020 o Poder Legislativo da Capital Catarinense. Na eleição, na noite de segunda (3), na Câmara da Capital, ele conquistou 15 votos na disputa contra outros dois postulantes: os vereadores Vanderlei Farias (PDT), que conquistou sete votos e Pedrão (PL) que recebeu seu único voto. Ainda se candidatou à presidência o vereador Maycon Costa (PSDB), que fez discurso pedindo voto, mas acabou desistindo e apoiando com seu voto o vereador Lela.
Braga substitui Roberto Katumi (PSD) que renunciou à presidência. “Só tenho a agradecer o apoio de todos os vereadores, de quem confiou em mim e de todos os demais, pois serei o presidente de todos os vereadores”, falou. O novo presidente ainda se mostrou grato a todos os votos que recebeu. “Homens de palavra, cumprem com a palavra”, frisou.

Inverteram cargos

Na verdade Fábio Braga e Roberto Katumi (PSD) inverteram os cargos. Braga ascendeu à presidência e Katumi, à pedido da base de apoio que garantiu a vitória de Braga, aceitou ficar na vice-presidência. Mas, deverá se dedicar a função somente em 60 dias, visto que estará neste período em licença de saúde.

Uma foto que diz muito

O retrato abaixo, feito por este colunista, no plenário da Câmara da Capital, logo após a eleição de Fábio Braga, é muito simbólico. O novo presidente Fábio Braga (PTB) tem muito a agradecer a Dalmo Meneses (PSD) que pagou a negativa ao seu nome com lealdade. Na eleição da presidência no início do ano passado, Dalmo era candidato e reuniu em torno do seu nome um expressivo número de parlamentares, inclusive da oposição. Entre estes, Braga, que na última hora mudou de ideia e apoiou a eleição de Roberto Katumi (PSD), que acabou presidente.

No acordo, Katumi se comprometeu a renunciar ao final do primeiro ano (legalmente poderia ficar dois anos) e tudo culminou na eleição de Braga neste início de ano. Política é isso ai mesmo, negociações e acordos visando o presente e o futuro. Quem está na política tomando atitudes com o fígado, não tem vida longa. Não à toa Dalmo está nesse jogo há tantos mandatos.

Usou o espaço

Pessoal ficou sem entender, mas eu entendi a manobra do vereador Maicon Costa (PSDB), na eleição da presidência. Colocou seu nome à disposição para disputar a presidência. Usou do tempo de 10 minutos. Aliás, aqui merece uns parênteses: usou muito bem o tempo para atacar o ex-presidente Roberto Katumi (PSD) e o atual presidente Fábio Braga. Para isso mandou editar previamente um vídeo com ilustrações, recortes em jornais e tudo mais. Foi diferente dos demais vereadores que simplesmente usaram a tribuna. Mas, daí, na hora do vamos ver: desistiu e entregou seu voto para Vanderlei Farias, do PDT. Os funcionários da Casa e alguns vereadores não entenderam, eu entendi: Maicon usou a eleição da presidência da Câmara da Capital para desopilar o fígado, em represália ao processo de cassação que sofreu ano passado. Será que desopilou o suficiente?

Candidato de mim mesmo

E o Pedrão (PL). Pré-candidato a prefeito de Florianópolis e na eleição da presidência da Câmara não conquistou nenhum voto além do seu. E ainda justificou com um discurso egocêntrico de que é diferente dos demais. “Coloquei meu nome para presidente sabendo que faria apenas o meu voto, mas não poderia deixar de expor o meu antagonismo a esse sistema tão fisiologista, tão venenoso para a administração pública”, disse em redes sociais. O que o vereador acha que é a política: um jardim de infância? Acorda vereador.

Idas e vindas

As idas e vindas do vereador Renato da Farmácia (PL) deixariam tonto qualquer jornalista setorista novato escalado para cobrir a Câmara. Iniciou o atual mandato pelo PSOL, migrou para o PR. Tornou-se líder do prefeito na Câmara. Final do ano passado declinou na liderança e anunciou independência. Na primeira sessão deste ano, subiu à tribuna e deu um discurso enaltecendo o atual governo municipal, defendendo as obras. “Nosso grande e eterno líder de governo”, brincou o vereador Miltinho Barcelos (DEM). Política é isso mesmo. Como nuvens: você olha e estão de uma forma, meia hora depois olha novamente e tudo mudou.

Mudança no comando do MDB da Capital

A Executiva Estadual do MDB não está levando muita fé na coordenação do vereador Rafael Daux (MDB) e resolveu colocar a velha guarda para auxiliar no projeto eleitoral deste ano. O senador Dário Berger e os ex-governadores Casildo Maldaner e Paulo Afonso Vieira passam a integrar a comissão provisória do MDB de Florianópolis. A resolução foi aprovada em reunião da Executiva estadual do partido na segunda-feira (3), que também reconduziu o vereador Rafael Daux para um novo mandato de 90 dias na presidência da legenda na Capital.

A sugestão partiu do próprio Berger, para reforçar o diretório municipal e auxiliar Daux nos rumos que o MDB deve tomar na sucessão florianopolitana. Desde que assumiu o comando temporário da sigla na Capital, há três meses, o vereador vem arregimentando nomes para compor uma chapa competitiva à Câmara. Com a presença de três das maiores lideranças emedebistas estaduais ao seu lado, a expectativa é de que o partido caminhe para uma definição quanto à disputa pela prefeitura.

“O MDB já mostrou seu tamanho e sua aceitação em Florianópolis nas eleições anteriores, quando teve papel fundamental na vitória do atual prefeito. Por isso, é fundamental lançarmos um candidato respeitado, com um projeto consistente, para voltar a governar a cidade”, disse o presidente do partido em SC, deputado federal Celso Maldaner.

Secretário nada republicano

Lamentável a deselegância e ignorância do secretário de Estado da Infraestrutura, Carlos Hassler, que literalmente enxotou o deputado estadual, Valdir Cobalchini (MDB) de uma audiência na Secretaria, sobre demanda de R$ 58 mil da Prefeitura de Pinheiro Preto, base do deputado. Disse que a relação se daria entre Estado e Município e o deputado deveria sair da sala. Nada republicano por parte do secretário. É comum os deputados acompanharem demandas de suas bases, até porque, são eles que estão nos municípios toda semana, não o governador ou secretário de Estado.

Secretário do Paraná

Aliás, o secretário de Estado da Infraestrutura, Carlos Hassler é disparado o pior secretário de Estado dos últimos anos que já passou pela pasta. Como se diz no Oeste, pra piorar nem que melhorar muito, é um horror. Morador de Curitiba, no início do mandato não sabia qual ponte ingressava na Ilha e qual saía (Pedro Ivo Campos ingressa e Colombo Salles sai, para quem não sabe). Desconfio, após um ano de mandato, não saber nem onde fica a metade dos municípios catarinenses.

No Meio-oeste, Oeste e outras regiões, as estradas estão esburacadas, intransitáveis. Ações simples como roçadas andam a passos de tartaruga. Convênios com municípios então, uma lastima. As obras de recuperação de rodovias, quase inexistem. Exemplo é a SC-401, a rodovia mais movimentada do Estado, localizada em Florianópolis, cuja obra iniciou ano passado e até agora pouco ou quase nada andou. Hassler tem que entender que não está mais no Exército e numa democracia os poderes dialogam e se respeitam, não um manda e outro obedece.

Lamber botas não resolve

Aliás, sobre esse episódio, está mais que na hora de algum assessor avisar ao deputado estadual, Valdir Cobalchini, que seu partido, o MDB perdeu a eleição. O governador Carlos Moisés (PSL) já emitiu diversos sinais que não quer nem papo e seus secretários seguem a mesma batida. O deputado que faça valer o seu voto na Alesc e se perfile à oposição ou fique na independência do seu mandato para fiscalizar o governo e exigir as melhorias que a população tanto clama. Lamber botas de militar aposentado, que agora é governador ou secretário, não vai ajudar nada. Vote contra e o respeito se estabelece, ou não…

Nota de repúdio

A Mesa Diretora da Assembleia Legislativa de Santa Catarina manifesta seu veemente repúdio ao Secretário de Estado de Infraestrutura e Mobilidade Carlos Hassler, pelo tratamento dispensado ao Deputado Estadual Valdir Cobalchini, do MDB, impedido de participar de uma audiência na sede da Secretaria quando acompanhava o prefeito municipal de Pinheiro Preto, nesta terça-feira (04/02).

Quando impediu um parlamentar catarinense de participar de uma audiência em órgão público, o secretário não cometeu somente uma grave indelicadeza com um deputado que, inclusive, já comandou com êxito reconhecido aquela Secretaria. Também feriu um dos pilares da democracia, que prevê a representatividade do cidadão por seus parlamentares.

Quando deixou o deputado estadual Valdir Cobalchini do lado de fora do seu gabinete, o Secretário Hassler deixou lá também todos os cidadãos catarinenses representados pelo Parlamentar. Especialmente os cidadãos do município de Pinheiro Preto interessados no assunto daquela audiência. Na Secretaria de Estado só devem ser tratados assuntos administrativos e republicanos. Não existe, portanto, nenhuma razão para não permitir a presença de um Deputado Estadual naquele recinto e naquele encontro entre agentes públicos.

Com tristeza e indignação, a Mesa Diretora da Assembleia Legislativa do Estado de Santa Catarina ratifica seu repúdio e clama para que nunca nos falte o respeito.

Deputado Julio Garcia
Presidente

Deputado Mauro de Nadal
Primeiro Vice-Presidente

Deputado Rodrigo Minotto
Segundo Vice-Presidente

Deputado Laércio Schuster
1º Secretário

Deputado Padre Pedro Baldissera
2º Secretário

Deputado Altair Silva
3º Secretário

Deputado Nilso Berlanda
4º Secretário