Eleições municipais: discurso fácil ou o candidato mais preparado?

Com a decepção de políticos como o governador Carlos Moisés (PSL) eleitos na onda do discurso da Nova Política; ao se aproximar a eleição municipal eleitorado poderá optar por políticos mais experientes

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Orvino é um dos pré-candidatos a prefeito em São José com mais experiência administrativa

A frase “A política é como nuvem: você olha e ela está de um jeito; olha de novo e ela já mudou.”, atribuída ao “coronel” da política mineira Magalhães Pinto, ilustra bem o atual contexto político Estadual e até Nacional. Há dois meses (antes da pandemia da Covid-19) desenhava-se que o tsunami da dita Nova Política da eleição passada continuaria fazendo estragos políticos, agora na eleição municipal. Talvez não com a mesma intensidade, mas ainda com certa força.

As exigências do combate à pandemia mudaram radicalmente este cenário. Ficaram expostas as inexperiências e ineficiências de políticos eleitos na onda das redes sociais, com uma frasezinha bonita ou o discurso lugar comum da antipolítica. Num momento em que passamos por um dos maiores dramas humanos, quando nossos governos precisaram dar respostas rápidas e objetivas, o despreparo de alguns políticos têm trazido riscos para a saúde da população, sem falar em prejuízo para as contas públicas.

Exemplo claro e o mais próximo possível é o governador Carlos Moisés (PSL). Eleito numa ânsia coletiva do eleitorado em votar no 17, ignorando outros candidatos bem mais preparados que ele, agora nos entrega um dos piores governos já vistos em Santa Catarina. Tem de tudo: falta de diálogo, falta de atitude, falta de inteligência governamental e o pior de tudo: casos de descaso com o dinheiro público e isolamento com falta de diálogo entre o governo e a sociedade.

Não há estudos científicos políticos, mas há uma tendência clara de que o eleitorado reflua de aventuras nas eleições municipais. Busque os políticos tradicionais, os com boa bagagem na área pública. Boa parte do eleitorado não vai trocar o certo pelo duvidoso, movido por uma ideia futura que na prática, já se mostrou que não se torna realidade. Óbvio que não vai abrir mão de uma boa ficha limpa, mas, a experiência administrativa, tende a ser um critério fundamental.

Gean e Ângela na Capital

Em política tudo é dinâmico e em eleição não há previsibilidade exata, mas, seguindo essa lógica da busca por candidatos mais experimentados na administração pública, alguns nomes largam com certa vantagem.

Em Florianópolis, por exemplo, a candidatura à reeleição do prefeito Gean Loureiro (DEM), sai fortalecida se o eleitor buscar na urna de votação um perfil mais preparado. Não só pelo longo currículo político, com experiência em vários cargos até chegar à prefeitura. Mas, também pelo seu mandato em si. Pegou uma prefeitura quebrada, apresentou as credenciais de bom administrador, colocou os números no azul e entregou obras e realizações em todas as áreas. Com a crise do coronavírus seu foco total em direcionar todos os esforços da administração para salvar vidas também é ponto positivo. Tomou as medidas, duras, mas necessárias, para controlar o contágio, tanto que até o momento a contaminação está mais que controlada na Capital, um oásis num Brasil que sofre com a doença.

Mas não é só o nome do prefeito que se encaixa nesse perfil na Capital. Sua adversária da eleição passada, Ângela Amin (PP) sempre carrega esta marca de preparada e experiente. É a bagagem de sua passagem pela prefeitura da Capital e por outros inúmeros cargos públicos. Foi essa qualidade que fez com que ela revertesse uma vantagem de Loureiro na eleição passada. Por pouco não conquistou a vitória. É claro que existem outros nomes com o perfil medalhão, mas impossível citar a todos, então me ative nos dois mais lembrados para a disputa.

Orvino é o mais preparado em São José

Em São José, onde a pré-campanha ainda está morna, há, ao menos, um nome que se sobressai, se analisado o critério experiência. Trata-se do vereador Orvino Coelho de Ávila (PSD). Seu nome é um dos que figuram na lista que pode ter o apoio da prefeita Adeliana Dal Pont (PSD) para sua sucessão. Desta lista, é disparado o com mais rodagem na administração pública.

Além de conhecer de perto as aflições e aspirações de sua gente, Orvino começou cedo na política. Com apenas 21 anos elegeu-se vereador na cidade em 1976. Atualmente exerce seu 10º mandato consecutivo na Câmara josefense. Também já ocupou cargos no Executivo e conhece como poucos a máquina administrativa.

Se o principal critério do eleitor for procurar alguém com experiência, o vereador deve ser olhado com atenção. Isso, além de reunir outros atributos, como a coerência e o bom diálogo. Com Orvino na prefeitura não será como Moisés que se isolou na Casa da Agronômica e passou a tomar decisões sem consultar a sociedade civil. Orvino interage com as mais variadas camadas sociais da cidade. Ele sabe o que as pessoas querem.

Currículo não lhe falta. Mas, é preciso mais para ser prefeito de uma cidade como São José, a quarta do Estado em população. Tem também que querer. Quando a isso, já confessou a amigos próximos que alimenta esta vontade, após anos como vereador. Além de querer, tem também que vencer a eleição. Ai aparece talvez a maior deficiência de Orvino: sua falta de carisma e daquela cara de político bonitinho e simpaticão. Mas ai é com o eleitor: escolher o candidato do discursinho bonito ou o candidato preparado.

MDB de São José pronto para disputa

Mobilizados desde o começo do ano, os pré-candidatos do MDB de São José estão animados com o trabalho que vem sendo realizado até agora e ansiosos com a definição das alianças e parcerias para as eleições deste ano. Consideram que estão prontos inclusive para uma disputa com candidato próprio e que a força da nominata de vereadores garante ao partido disputar em condições de reconquistar de fato a prefeitura da cidade. O partido tem como pré-candidato o atual presidente da Câmara de Vereadores, Michel Schlemper, que conta com o apoio do senador Dário Berger. O senador participa ativamente das ações de preparação para as eleições. A coordenação do partido vem negociando uma aliança com o PSD, da prefeita Adeliana Dal Pont. Schlemper conta inclusive com a simpatia e o apoio de diversas lideranças do partido.

Gabrielzinho quer o cancelamento do recesso de julho

O vereador Gabriel Meurer (Podemos) vai protocolar um projeto de resolução para cancelar o recesso de julho na Câmara Municipal de Florianópolis. Além de considerar o período em que o legislativo não teve sessões ordinárias no início da quarentena, o que gerou atraso nas discussões de todos os projetos relacionados ao município, a intenção do parlamentar é não interromper o trabalho que vem sendo realizado para combater a pandemia da Covid-19, à exemplo do que já foi anunciado pelo Senado Federal. A proposta já foi protocolada na Câmara.

Recesso

O Senador Jorginho Mello se manifestou nas redes sociais a favor do fim do recesso parlamentar. “Hoje (18), na reunião de líderes do Senado, ficou decidido que não haverá recesso parlamentar em julho. Decisão que apoio, sou contra o recesso parlamentar. Inclusive, já defendi, no último ano, o fim dessa folga no Congresso Nacional. O Brasil tem pressa!”, ressalta Jorginho Mello.

Venda de pescados

Aprovado por unanimidade na Câmara de Vereadores o projeto de lei 17.580/2018, de autoria do vereador Marquito (PSOL), visa oportunizar a venda direta de pescados frescos provenientes de pescadores artesanais e maricultores familiares para restaurantes e similares.

A pesca e maricultura artesanal é um tipo de atividade caracterizada principalmente pela mão de obra familiar, com embarcações de porte pequeno, ou ainda em pequenas balsas como na colheita e manejo de moluscos perto da costa.

Com essa ação, reduz-se a necessidade de atravessadores na comercialização diminuindo os custos e ampliando a renda local. Além de valorizar a cultura da cidade de Florianópolis e fomentar a emancipação e a soberania alimentar das comunidades tradicionais da pesca artesanal e maricultura familiar.

Este PL visa contribuir também com o SIM, pois a legislação atual não permitia essa comercialização do pescado fresco in natura, o que vinha causando uma insatisfação geral dos pescadores, maricultores e proprietários de Restaurantes.

Com a aprovação do PL e posteriormente com a sanção da Lei pelo prefeito municipal, os estabelecimentos interessados em adquirir os pescados frescos direto dos pescadores e maricultores farão um cadastro junto ao SIM, cumprindo com as regras exigidas para estarem aptos a receber os pescados.

“Esse projeto foi construído à várias mãos, com participação do Ministério Público de Santa Catarina (MP/SC), Serviço de Inspeção Municipal (SIM-Fpolis), Conselho Municipal de Segurança Alimentar e Nutricional (CONSEAS), Associações de Pescadores Artesanais e Maricultores e representantes de restaurantes locais”, afirmou Marquito.

Renunciou

No início da tarde desta terça-feira (19), o ex-chefe da Casa Civil do Governo do Estado, Douglas Borba protocolou, na sede da Câmara de Biguaçu, ofício anunciando a sua renúncia do cargo de vereador, do qual estava licenciado desde janeiro de 2019 quando havia assumido o secretaria de Estado da Casa Civil.

Douglas alegou que protocolou sua renúncia para concentrar-se em sua defesa judicial dos processos que estão em tramitação por causa do episódio do “Escândalo dos Respiradores”.

Na verdade o agora ex-vereador já sofreria uma ação para cassação do seu mandato no legislativo de Biguaçú. Apenas se antecipou e com isso preservou os direitos políticos. Se sair vivo “politicamente” dessa encrenca dos respiradores, poderá recomeçar sua carreira política.