Deputados debatem retorno dos eventos em SC

Deputados estaduais debateram em sessão na Assembleia Legislativa as polêmicas decisões de flexibilização ou não de eventos no Estado

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As imagens de aglomerações em praias, ruas e restaurantes foram motivo de debate durante a sessão de quarta-feira (14) da Assembleia Legislativa.

“O governo editou portaria dizendo que eventos sociais no laranja e no amarelo podem, mas eventos pagos só no azul. A praia do Rosa, que tá laranja, não poderia, mas que bom (que aglomera), minha crítica é por que eventos pagos não podem? Será que festa no meio da rua pode? Restaurante pode, balada não pode, mas se a balada virou restaurante para abrir, daí pode. Quanto mais você abre, menos pessoas se contaminam e menos pessoas morrem”, defendeu Jessé Lopes (PSL).

Sargento Lima (PSL) concordou com o colega e contou que o lockdown de Wuhan, na China, não foi decretado para conter o coronavírus, mas para frear a sublevação contra o fechamento de mercados.

“Tinham medo de morrer se saíssem de casa, não de Covid, mas da bala dos camaradas. Daí a Organização Mundial de Saúde (OMS) desenvolveu a teoria de que se tudo mundo ficasse em casa, ia funcionar”, explicou o representante da Manchester barriga verde, crítico contumaz da quarentena.

Carlos Humberto (PL) concordou em parte com os representantes do PSL.

“Em Santa Catarina fizemos sim, e temos de fazer este adendo, um trabalho relevante, porque comparado a outros estados, estamos melhor, se dá para usar a palavra, mas isso não quer dizer que seja perfeito e que não tenhamos correção por fazer”, ponderou o representante de Balneário Camboriú.

Para Humberto, o governo deveria promover o retorno do ensino infantil e dos eventos.

“O ensino infantil pode muito bem acontecer. Mesma coisa são os eventos, não é possível ver imagens todos os dias, acabei de almoçar em um restaurante cheio, claro dentro das normas, por que não pode um casamento? São 900 mil catarinenses que vivem do setor de eventos e já tivemos três mil demissões no ensino infantil”, advertiu Humberto.

Maurício Eskudlark (PL) também defendeu o retorno dos eventos.

“Os eventos foram suspensos desde março, eventos com seis meses, um ano de programação, como casamentos. O estado tem sido omisso na liberação de eventos, esperamos que analise a situação e revogue o decreto que está em vigor, porque tem sido diariamente desrespeitado”, discursou Eskudlark, que criticou a relação das cores com o número de UTIs disponíveis para Covid nas regiões.

Já Neodi Saretta (PT), presidente da Comissão de Saúde, viu com outros olhos as imagens de aglomerações estado afora.

“Fiquei preocupado com as cenas do feriadão, o patamar de óbitos e o número de casos são preocupantes, em uma semana fomos de seis mil para oito mil casos ativos, isso pode agravar a classificação de regiões e impedir a volta às aulas”, avaliou Saretta, que defendeu o uso de campanhas de conscientização “para que a população possa compreender e fazer sua parte”.

Dia do professor com cortes na educação

Neodi Saretta lembrou o dia do professor, celebrado no próximo dia 15, e lamentou os cortes promovidos pelo Executivo no orçamento da educação para 2021

“Um verdadeiro herói que neste ano se mantiveram firmes no propósito de ensinar e evitar a perda do ano, mesmo que remotamente”, destacou Saretta, acrescentando que em 2021, segundo propôs o Executivo, haverá corte de R$ 161 mi no orçamento dos itens valorização profissional, ensino fundamental, ensino profissionalizante e educação de jovens e adultos.

Adutora do rio Chapecozinho

Cesar Valduga (PCdoB) pediu o descontingenciamento de recursos do Ministério do Desenvolvimento Regional para a construção do sistema integrado de captação de água do rio Chapecozinho.

“A adutora abastecerá Chapecó, Xanxerê, Xaxim e, por gravidade, Coronel Freitas.  Apresentamos uma moção que apela ao ministro do Desenvolvimento Regional,  aos presidentes da Câmara e do Senado e ao Fórum Parlamentar Catarinense a liberação de recursos financeiros à Casan, a fim de viabilizar o projeto de sistema integrado do rio Chapecozinho”, informou Valduga.

Ataque à família

Bruno Souza (Novo) criticou decreto da prefeitura de Florianópolis que instituiu o Plano de Políticas Públicas e Direitos Humanos de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais.

“Cada um tem a liberdade de acreditar e ser o que quiser ser, o problema é que o estado ao tentar impor um tipo de liberdade, acaba restringindo a liberdade de quem se opõe a esta agenda”, argumentou Souza.

Segundo o decreto, está autorizado o uso do nome social de acordo com autoidentificação de gênero; a promoção de acesso aos banheiros conforme a identidade de gênero; e inserção na bibliografia de concursos públicos e processos seletivos da temática de gênero.

“E a família cristã, é uma minoria que não merece ser respeitada?”, perguntou Bruno.

Jair Miotto (PSC), Kennedy Nunes (PSD), Sargento Lima e Jessé Lopes seguiram Bruno e criticaram o decreto.

“Não há nenhum incentivo à violência pela opção sexual de quem quer que seja, mas estamos falando de crianças, não cabe! Acho que tem coisa muito mais importante para uma escola trazer para crianças”, declarou Miotto.

“Isso é o que queriam fazer no Brasil inteiro quando o Ministério da Educação (MEC) do governo do PT tentou fazer, e, por uma reação da Bancada Evangélica, não permitiu que fosse feito. Aí sorrateiramente o MEC repassou este plano como uma minuta para os municípios e estados”, explicou Kennedy, que rejeitou a “inclusão na formação da criança deste tema”.

“Quando a gente vê um prefeito, um secretário fazendo esse tipo de coisa, sendo pago com dinheiro oriundo do sacrifício do cidadão, aí fico pensando quem votou nesse cara?”, disparou Lima, completando que medidas análogas “dividem a sociedade em grupos” e “conduzem à violência”.

“A criança é vulnerável, vai para escola para aprender. Ela vai achar aquilo ali é legal e vai achar que o professor sabe mais que o pai, a quem interessa o relativismo?”, questionou Jessé.

Código Florestal x Lei da Mata Atlântica

José Milton Scheffer (PP) repercutiu moção apresentada pela Comissão de Agricultura apelando ao presidente do Supremo Tribunal Federal (STF) para que mantenha a legislação do Código Florestal Brasileiro.

“Os agricultores se adaptaram ao Código Florestal e agora estão querendo deixar o código de lado e passar a funcionar a lei da Mata Atlântica, que é mais rigorosa. Caso a nova legislação seja obedecida, vai reduzir em mais de 55% as áreas disponíveis para agricultura em certas regiões”, alertou Scheffer.

 

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