Documentário sobre Darcy Brasiliano dos Santos e Pró-Música de Florianópolis

A obra destaca aspectos da vida pessoal de Darcy, nascido na Vargem Grande, norte da Ilha de Santa Catarina, e o trabalho que realizou como presidente da Associação Pró-Música, criada em 1973 e que ele administrou até 2014.

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A trajetória de Darcy Brasiliano dos Santos, 96 anos, gestor cultural que inseriu Florianópolis no roteiro das grandes orquestras, instrumentistas, conjuntos de música erudita e companhias de dança a partir da década de 1970, é tema de um vídeo que será disponibilizado nas redes sociais da Rede Marketing Cultural nesta sexta-feira, dia 23. O documentário “Pró-Música de Florianópolis e Darcy Brasiliano dos Santos – Construção coletiva de sentidos” tem o mesmo nome de um livro escrito pela jornalista Néri Pedroso que será lançado em breve.

O projeto de produção de livro e vídeo sobre “Darcy Brasiliano dos Santos: Vida e protagonismo cultural”, realizado pela Rede Marketing Cultural e Ministério do Turismo, via Lei Federal de Incentivo à Cultura sob o PRONAC 163981, tem o apoio da Eletrobras/Eletrosul e o patrocínio da Cassol Centerlar e do Banco Regional de Desenvolvimento do Extremo Sul (BRDE). Os interessados em visualizar ou baixar o arquivo podem usar o link http://redemarketingcultural.com.br/darcybrasiliano/

A disponibilização do vídeo ao público marca os oito anos de criação da Rede, empresa de gestão cultural que atua na construção, captação e execução de projetos culturais nas áreas das artes visuais, música, fotografia, patrimônio e edição de livros.

A obra destaca aspectos da vida pessoal de Darcy, nascido na Vargem Grande, norte da Ilha de Santa Catarina, e o trabalho que realizou como presidente da Associação Pró-Música, criada em 1973 e que ele administrou até 2014. Durante quatro décadas, Florianópolis foi referência em grandes espetáculos e disputou com São Paulo, Rio de Janeiro, Curitiba e Porto Alegre a primazia de companhias estrangeiras que vinham ao Brasil, além de constar da agenda dos principais músicos, intérpretes, orquestras e conjuntos de câmara do país. Nessa área, Santa Catarina nunca foi o zero da BR-101, como se costumava definir o Estado em relação ao circuito de eventos musicais que contemplavam as maiores capitais brasileiras.

Em mais de quatro décadas, a Pró-Música trouxe para Florianópolis artistas do porte de Magdalena Tagliafero, Arthur Moreira Lima, Aldo Baldin, Edino Krieger, Sebastião Tapajós, Roberto de Regina, Ana Botafogo, Eudóxia de Barros, Antonio Meneses, Nelson Freire, Jerzy Milewski, Arnaldo Cohen, Turíbio Santos, Paulo Moura, Altamiro Carrilho, Cecília Kersche e o Ballet Stagium.

Foi nesse período luminoso que desceram na cidade a Orquestra de Câmara do Kremlin (Rússia), a Orquestra de Câmara de Budapeste (Hungria), o Quarteto de Cordas da Filadelfia (Estados Unidos), o Mozart Quartet (Áustria), o Solisti Aquilani (Itália), o Quinteto de Sopros de Gothenburg (Suécia), a Orquestra de Câmara de Varsóvia (Polônia), o Sexteto de Cordas de Zurich (Suíça), os Meninos Cantores de Windsbach (Alemanha), a Orquestra Sinfônica de Cannes (França), além de centenas de outros cantores, orquestras e grupos de todo o mundo.

Oportunidades para artistas

Além de proporcionar a milhares de catarinenses a oportunidade de assistir a grandes concertos e espetáculos de dança e ópera, a Pró-Música ajudou a formar plateias, abriu mercado para jovens instrumentistas e transformou Florianópolis num destino promissor para talentos de outros estados que hoje atuam na cidade como artistas e professores de música. A jornalista Néri Pedroso diz que em sua pesquisa encontrou muitas preciosidades e material que “daria para fazer vários livros”. A Pró-Música chegou a ter 1.500 associados, que pagavam uma mensalidade e tinham o direito de assistir a todos os eventos da programação ao longo do ano.

Darcy Brasiliano dos Santos também ajudou a criar a Associação Coral de Florianópolis, em 1960. Foi a partir do surgimento da Pró-Música que nasceram o Festival Nacional de Canto Aldo Baldin, o Ciclo de Intérpretes Catarinenses, a Série Vesperal, o projeto Clássicos na Catedral e outros eventos que sempre tiveram lotação completa, independente do local onde eram realizados. Néri Pedroso ressalta o papel da soprano Rute Ferreira Gebler e da maestrina Mércia Mafra Ferreira, além do músico e empresário Ademar José Cassol, no fortalecimento da entidade, que hoje é presidida pela pianista Neyde Coelho.

A cidade das óperas

A programação da Pró-Música sempre contemplou todos os gêneros, do popular ao erudito, do chorinho ao jazz, do tango à dança e à ópera. Florianópolis se tornou palco do canto lírico com a série de óperas que a entidade produziu – algo impensável na cidade, que nunca teve tradição nesse gênero artístico. Entre 2000 e 2009, foram nove espetáculos, entre eles “La Traviata”, “Madame Butterfly”, “Carmen”, “Cavalleria Rusticana”, “O Elixir do Amor” e “O Barbeiro de Sevilha”.

“Darcy é uma pessoa extraordinária, de cabeça aberta, cujos olhos ainda brilham quando fala do seu trabalho e da música”, diz Néri Pedroso. Aposentado como funcionário do Banco do Brasil, ele dedicou boa parte da vida à Pró-Música de Florianópolis, cuidando de todos os detalhes de cada evento. Organizava as reuniões, montava os programas, ia às gráficas, contatava com os músicos e orquestras, redigia e assinava contratos, produzia releases, buscava convidados no aeroporto, acompanhava os ensaios, preparava os camarins, visitava autoridades e redações de jornal, garimpava novos associados, escrevia artigos, arquivava materiais, cantava no coral e, como católico praticante, ia à igreja todas as semanas. Foi um precursor do empreendedorismo cultural no estado de Santa Catarina.